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LETRINHAS DA MAMÃE
Minha mãe escrevia cartas com letras redondas, frases simétricas, pontuação impecável. Ela era professora rural contratada pela Prefeitura de Catalão para dar aulas aos colonos da fazenda. Papai construiu ao lado da nossa casa um galpão, com telhado de palha e paredes de paus com folhas secas. No meio havia uma mesa de madeira pesada com cinco metros de comprimento por dois metros de largura. De um e de outro lado da mesa havia bancos tão compridos quanto a mesa. Ali se ensinava a ler na Cartilha Sodré, fazer contas e também a cuidar da higiene e da alimentação. Ensinava ainda técnicas de defesa de animais peçonhentos, respeito pelos pais e avós e ter fé em Deus. Os alunos eram de idades entre 06 e 15 anos, com níveis de instrução variada. Mamãe sozinha, sem coordenadores e orientadores educacionais, usava o seu feeling para classificar o nível de conhecimento e desenvolvimento dos seus alunos.
Assim que começavam as férias escolares, eu subia na camioneta do padrinho João Fayad e ia para a fazenda. Lá estavam meus pais e irmãos, dos quais eu sentia muita saudade. Além disso, havia a escola, onde eu já ganhava uma função profissional.
Quando eu já estava no terceiro ano do Ensino Fundamental, mamãe me nomeou “ajudante”. Meu trabalho era pegar na mão dos meninos “mais atrasados” para lhes ensinar a escrever e também soletrar com eles o bê-a-bá. Eu me sentia tão importante... Dessa forma sobrava mais tempo para a professora titular dar mais atenção aos “mais adiantados”.
Bons tempos!
Bsb, 09/10/2026